Miguel Artín Caetano Jorge Albert Mallebrera

Artículo redactado y revisado por Jorge, Miguel y Caetano

Levantas-te e os joelhos estalam ao descer as escadas. Ou olhas-te ao espelho e a pele já não volta ao lugar como antes. Alguém te disse para tomares colagénio, vais procurar e encontras cem frascos diferentes: marinho, bovino, em pó, em cápsulas, líquido, com vinte coisas adicionadas. Preços de 12 euros a 60. E nenhuma ideia clara do que diferencia uns dos outros.

Vamos explicar. A resposta curta: o colagénio hidrolisado funciona, sobretudo nas articulações e na pele, mas com duas condições que quase ninguém cumpre. Dose suficiente e dois ou três meses de constância. O resto (a hora exata, o sabor, se é marinho ou bovino) importa muito menos do que te disseram.

Para quê Dose diária Quando se nota
Articulações e cartilagem 5-10 g de peptídeos hidrolisados 8-12 semanas
Pele, elasticidade e hidratação 2,5-10 g de peptídeos hidrolisados 8-12 semanas
Tendões e ligamentos 5-15 g + treino de força 3-6 meses
Manutenção geral 5 g por dia Efeito acumulativo

Quanto colagénio precisas tu?

Conforme a tua idade e o que queres alcançar.

O que é o colagénio e por que se perde com os anos

O colagénio é um terço de todas as proteínas do teu corpo. Está na pele, na cartilagem dos joelhos, nos tendões, nos ligamentos, nos ossos e até nas paredes das artérias. 

O problema é que o teu corpo começa a produzir menos a partir dos 25-30 anos. Cerca de 1% menos por ano, mais ou menos. Num ano não se nota. Em vinte, sim. Aos 50 já levas duas décadas a produzir menos do que gastas, e é isso que estás a notar nos joelhos e no espelho.

Nas mulheres há um fator extra: a menopausa. Os estrogénios participam diretamente na síntese de colagénio, por isso, quando diminuem, a produção também cai. Não é gradual como antes, é um degrau.

1%
menos colagénio o teu corpo produz todos os anos a partir dos 25-30. Por isso, aos 45 a pele e as articulações não respondem como aos 25. Não é má sorte, é matemática.

É bom tomar colagénio? O que diz a evidência

Sim. O colagénio que tomas não chega intacto à tua pele nem se fixa nos teus joelhos. A digestão não funciona assim.

O que realmente acontece é mais interessante. O colagénio hidrolisado já vem partido em pedaços pequenos (peptídeos), e esses pedaços são absorvidos. Alguns chegam ao sangue inteiros. E aí fazem duas coisas. Fornecem as peças concretas que o seu corpo precisa para fabricar colagénio novo, e funcionam como sinal que desperta as células que o produzem (fibroblastos na pele, condrócitos na cartilagem) para que trabalhem mais.

Uso Nível de evidência O que mostram os estudos
Desconfortos articulares Sólido Menos dor e melhor função articular com uso continuado
Elasticidade e hidratação da pele Sólido Melhorias mensuráveis na elasticidade e densidade dérmica
Rugas finas Moderado Redução modesta mas real com dose e constância
Tendões e ligamentos Moderado / em desenvolvimento Melhor adaptação combinado com exercício de força
Densidade óssea Preliminar promissor Resultados favoráveis em mulheres pós-menopáusicas
Unhas e cabelo Fraco Dados limitados, sobretudo autorrelatados
As letras pequenas que ninguém lê: os estudos com resultados positivos usam peptídeos concretos, em doses concretas, durante pelo menos 8-12 semanas. Se tomar meia colher de um colagénio qualquer durante três semanas e não notar nada, o colagénio não falhou. Falhou a dose e o tempo.

Colagénio em pó, cápsulas ou líquido: que formato escolher

O formato não muda o que o colagénio faz. Muda se vai continuar a tomá-lo em março. E como isto é para tomar todos os dias durante meses, isso acaba por ser o que decide.

O colagénio em pó ganha por uma razão muito simples: precisa entre 5 e 10 gramas por dia. Isso são entre 10 e 20 cápsulas. Ninguém toma 15 cápsulas por dia durante três meses. Com o pó é uma colher no café e está feito. E sai bastante mais barato por dose.

As cápsulas são boas para viajar, mas a maioria traz doses tão pequenas que fica muito abaixo do que foi estudado. O líquido é prático e fácil de tomar, mas está a pagar para transportar água para casa, e muitos vêm com açúcares ou adoçantes a mais.

Para comparar na loja: veja os gramas de colagénio por dose, não o tamanho do frasco. Um frasco de 300 g com doses de 10 g dura 30 dias. O mesmo frasco com doses de 5 g dura 60. E se um produto não indicar claramente quantos gramas tem cada dose, desconfie: normalmente é porque o valor não lhe favorece.

Como tomar colagénio? Sem complicações

Boas notícias: o colagénio hidrolisado é um dos suplementos mais fáceis de tomar que existe. Como tomar colagénio resume-se a isto:

  • Em qualquer líquido: água, sumo, café, chá, batido, iogurte. Dissolve-se e não forma gelatina.
  • Frio ou quente tanto faz: suporta o calor sem perder eficácia, por isso o café serve.
  • Com ou sem comida: não precisa de jejum nem rituais. Põe onde não te esqueças.
  • Com vitamina C: aqui sim há um motivo real, e explico-te mais abaixo.
  • Todos os dias: pelo menos oito semanas antes de avaliar se te faz efeito.

Quando tomar colagénio? E quando é melhor

Esta é a dúvida que mais recebemos, e a resposta vai desiludir quem queira um ritual. Quando tomar colagénio importa muito menos do que tomá-lo todos os dias. Os peptídeos demoram horas a circular e o efeito constrói-se por acumulação durante semanas. Não há nenhuma hora mágica.

Agora, se quiseres ser rigoroso, há momentos com argumento:

Momento Argumento a favor Vale a pena?
De manhã em jejum Digestão sem competição de outras proteínas Confortável, mas sem vantagem demonstrada
30-60 min antes de treinar Os peptídeos coincidem com o estímulo mecânico nos tendões Sim, se o teu objetivo são tendões ou ligamentos
Depois de treinar Junta-se ao batido, fácil de lembrar Muito prático
Antes de dormir A reparação dos tecidos é mais ativa à noite Plausível, evidência limitada

E se me perguntares quando é melhor tomar o colagénio sem mais contexto, digo-te a verdade: à hora em que te seja impossível esquecer. Se tomas café todas as manhãs sem falhar, mistura-o no café. Se treinas sempre à mesma hora, junta-o ao batido. O melhor momento é aquele que consegues manter durante três meses.

A única exceção que devemos ter em conta: se o que te dói são tendões ou ligamentos (tendinite, joelho de corredor, cotovelo de tenista), toma-o 30-60 minutos antes de fazer esforço. Os tendões têm muito pouco fluxo sanguíneo, e o exercício é exatamente o que os abre ao aporte de nutrientes. Aí o momento conta mesmo.

Colagénio com vitamina C

Quase todas as combinações vendidas em suplementos são uma desculpa para aumentar o preço. A de colagénio com vitamina C não. Esta tem uma razão bioquímica de livro de texto.

Para fabricar colagénio, o teu corpo tem de modificar quimicamente dois aminoácidos: a prolina e a lisina. As enzimas que fazem esse trabalho (a prolil hidroxilase e a lisil hidroxilase) precisam de vitamina C para funcionar. Sem vitamina C não trabalham a meio gás: não trabalham.

Isto explica o escorbuto, aliás. Os marinheiros que passavam meses sem fruta fresca perdiam os dentes, sangravam das gengivas e as feridas não cicatrizavam. Tudo isso era colagénio que o corpo não conseguia produzir por falta de vitamina C.

Por isso, tomar os péptidos sem garantir a vitamina C é levar os tijolos para a obra e deixar os pedreiros sem ferramentas. Não é preciso obsessão: se comes fruta e legumes estás bem servido. Mas certifica-te que está garantida, pelo suplemento ou pelo teu prato.

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Qual é o melhor colagénio para mulheres de 50 anos

Aos 50 o cenário é diferente. Muitas mulheres descrevem da mesma forma. Tudo chega junto e de repente. A pele mais fina e seca, os joelhos ou as mãos que antes não incomodavam, e uma sensação geral de que o corpo já não se recupera sozinho.

Não é imaginação. Com a queda dos estrogénios, a síntese de colagénio cai rapidamente, e isso afeta a pele, a articulação e o osso ao mesmo tempo. Por isso, nesta idade, o colagénio deixa de ser "seria bom" para fazer bastante sentido.

Sobre qual é o melhor colagénio para mulheres de 50 anos: não há um frasco milagroso, mas há critérios para não te enganares.

  • Hidrolisado e em pó. Para chegar a 5-10 g diários sem engolir quinze cápsulas.
  • Péptidos com estudos próprios. Os ingredientes patenteados e padronizados são os que foram usados nos ensaios publicados. O "colagénio" genérico não é o mesmo.
  • Os gramas no rótulo. Se disser "complexo exclusivo" sem números, ignora.
  • Vitamina C garantida, pelo produto ou pela tua dieta.
  • Um sabor que aguentes todos os dias. Parece parvo, mas é o que decide se em março ainda o estás a tomar ou se está no fundo do armário.

E isto não se diz o suficiente: aos 50 o colagénio funciona muito melhor se fizeres treino de força. O estímulo mecânico é o que diz ao teu corpo onde deve usar esse material.

Se tens 50 ou mais: opta pelo pack completo. Colagénio em dose suficiente, vitamina C, vitamina D e treino de força dois ou três dias por semana. Essa combinação faz muito mais pelas tuas articulações, ossos e pele do que qualquer frasco isolado. E se estiveres a tomar medicação ou tiveres alguma condição médica, fala primeiro com o teu médico.

Quanto tempo demora a notar-se e até quando tomar

Os dados são bastante consistentes: começa a notar-se a partir das 8 semanas, e o bom acontece entre os 3 e 6 meses. Nas articulações, às vezes antes; na pele e tendões, mais tarde.

É aqui que as pessoas desistem. Compram o frasco, tomam durante três semanas, não veem nada e concluem que o colagénio é uma farsa. Com três semanas não teriam notado nada nem com o melhor produto do mercado. É como inscrever-se no ginásio, ir cinco vezes e dizer que não funciona.

É preciso tomar para sempre? Não é obrigatório, mas entende a lógica: o colagénio não resolve nada de forma permanente. Fornece material e estímulo enquanto o tomas. Se deixares, a tua produção volta ao ritmo normal, que a partir de certa idade é mais baixo. Há quem tome continuamente como a vitamina D e quem faça ciclos de vários meses. As duas opções são razoáveis.

Tudo em quatro linhas. 5-10 g de colagénio hidrolisado por dia, em pó, no que quiseres e à hora que não te esqueças. Garante a vitamina C. Dá-lhe 8-12 semanas antes de opinar. E se puderes, faz força: é isso que multiplica o efeito.

Perguntas frequentes

Funciona, sobretudo em desconfortos articulares e na elasticidade e hidratação da pele. Mas a doses suficientes (5-10 g diárias de peptídeos hidrolisados) e com 8-12 semanas de constância no mínimo. O problema não está no colagénio, está nas promessas exageradas e nos produtos com doses simbólicas.

Dá praticamente igual: o efeito acumula-se ao longo de semanas, não depende de um pico pontual. Escolhe o momento em que seja impossível esquecer. A única exceção com argumento sólido: se for para tendões ou ligamentos, toma-o 30-60 minutos antes de treinar força.

Dissolvido no que quiseres: água, sumo, café, chá, batido ou iogurte. É solúvel e resiste ao calor, por isso o café serve. Não precisa de jejum nem condições especiais. Mexe e está pronto.

Entre 5 e 10 gramas de colagénio hidrolisado para articulações, e entre 2,5 e 10 para a pele. Para tendões e ligamentos, já se usaram até 15 gramas combinados com exercício. Abaixo de 2,5 g por dia, não esperes notar nada.

Porque as enzimas que o teu corpo usa para fabricar colagénio (prolil e lisil hidroxilase) precisam de vitamina C para funcionar. Sem ela, não trabalham. Fornecer os peptídeos sem garantir a vitamina C é deixar o trabalho a meio. Aqui não há estratégia comercial: é bioquímica de livro escolar.

O que cumpre isto: hidrolisado em pó (para chegar à dose sem quinze cápsulas), com peptídeos que tenham estudos próprios, com as gramas claras no rótulo, com a vitamina C incluída e com um sabor que possas tomar todos os dias durante meses. E sobretudo: acompanhado de treino de força, que é o que multiplica o seu efeito no osso, músculo e articulação.

A partir das 8 semanas começa a notar-se, e o bom chega entre os 3 e 6 meses de uso continuado. Nas articulações pode ser um pouco mais rápido; na pele e tendões, mais lento. Julgar aos três semanas é o erro mais comum.

O pó, por pura logística: precisas de 5-10 gramas diárias e isso são 10-20 cápsulas por dia. Além disso, sai mais barato por dose. As cápsulas são boas para viajar mas quase sempre ficam curtas na dose, e com o líquido pagas muito pela água que transportas.

Muito poucos. O mais comum são desconfortos digestivos leves (peso, alguma inchaço) que se resolvem dividindo a dose ou tomando com comida. Atenção à origem se tens alergias: há colagénio bovino, marinho e de fontes de ovo. Se és alérgico a peixe, marisco ou ovo, lê o rótulo antes de comprar.

Sim, aí está a chave. O efeito constrói-se por acumulação durante semanas. Um esquecimento ocasional não estraga nada, mas tomar três vezes por semana não reproduz o que se vê nos estudos, que usam pautas diárias.

A evidência é mais forte na elasticidade e hidratação do que nas rugas, onde o efeito existe mas é modesto. Ajuda gradualmente, não substitui um tratamento médico e não se nota em duas semanas. Espera uma pele de melhor qualidade, não outra cara.

Sim, e é muito bom: adiciona-os no mesmo batido. São coisas diferentes e complementares. A proteína (whey) fornece o perfil completo de aminoácidos para o músculo; o colagénio fornece peptídeos específicos para o tecido conjuntivo. Não se anulam.

O caldo de ossos e a gelatina fornecem colagénio, mas em quantidades muito variáveis, impossíveis de quantificar e sem hidrólise. Comer bem é a base, mas atingir diariamente 5-10 gramas de peptídeos absorvíveis só com a comida é complicado.

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