Miguel Artín Caetano Jorge Albert Mallabrera

Artículo redactado y revisado por Jorge, Miguel y Caetano

Treinas forte, cuidas da proteína, dormes as tuas horas. E mesmo assim há semanas em que os gémeos ficam cansados a meio da série, acordas às três da manhã ou arrastas uma fadiga que não condiz com o que estás a fazer. Antes de mexer em mais nada, vale a pena olhar para um mineral do qual quase ninguém fala no ginásio: o magnésio.

Não é um suplemento da moda nem um potenciador milagroso. É um mineral que participa na produção de energia, na contração do músculo e na qualidade do teu descanso, e que o desportista gasta mais rápido do que quem não treina. Aqui explicamos por que é importante para ti em concreto, quanto precisas realmente, que forma escolher e quando tomar. Sem ilusões: o magnésio não vai aumentar o teu press de banca por magia, mas se estiveres em défice, vais notar a diferença.

O que te interessa como desportista O dado
Necessidade diária se treinas ~350-500 mg de magnésio elementar
Quanto mais gasta um desportista Um 10-20 % por suor e urina
Para que vais notar Cãibras, sono, fadiga e recuperação
Melhor forma para recuperar e dormir Bisglicinato, à noite
Melhor forma para energia diurna Malato, ao pequeno-almoço
Em quanto se nota Sono em dias; músculo em 2-4 semanas

Quanto magnésio precisas por dia?

Ajustado ao teu peso, tipo de treino e quanto sues.

Por que o desportista gasta mais magnésio

O magnésio não fica parado no corpo. Perdes-no pelo suor e pela urina, e ambas as vias disparam quando treinas. Quanto mais longo e intenso é o esforço, mais magnésio perdes. Por isso, uma pessoa sedentária e tu, a treinar cinco dias por semana, não têm a mesma necessidade mesmo que pesem o mesmo.

A essa perda soma-se que o próprio exercício redistribui o magnésio para os músculos que trabalham e para o sangue, e parte acaba por ser eliminada. O resultado é que um desportista precisa de cerca de 10-20 % mais do que a população geral. E aqui está o problema: entre metade e dois terços das pessoas nem sequer atingem a quantidade recomendada básica, por isso quem treina muitas vezes começa com o depósito a meio sem saber.

300+
reações do teu corpo dependem do magnésio: produzir energia, contrair e relaxar o músculo, construir proteína nova. Quando falta, não se estraga uma coisa concreta: todo o sistema rende pior.

O que o magnésio faz quando treinas

Para entender por que o notas, ajuda ver os três fronts onde o magnésio trabalha enquanto treinas e descansas.

Produzir energia

As tuas células funcionam com uma molécula chamada ATP, que é a moeda de energia do músculo. O detalhe que quase ninguém conta: o ATP só é utilizável quando está ligado ao magnésio. Sem magnésio suficiente, essa moeda não pode ser bem gasta. Por isso, um défice nota-se como fadiga que não faz sentido e como sensação de que cada série custa mais do que o normal.

Contrair e relaxar o músculo

O músculo contrai-se com cálcio e relaxa com magnésio. São a dupla que se alterna em cada movimento. Quando o magnésio está em falta, o músculo fica "ligado" mais do que devia e aparecem os cãibras, os puxões e esses tremores na pálpebra ou na gémeo. Não é coincidência que muitas cãibras noturnas melhorem ao corrigir o magnésio.

Recuperar e dormir

Aqui está a parte que mais se subestima. O magnésio ajuda o sistema nervoso a abrandar à noite, e um sono profundo é quando realmente reparas o músculo e liberas hormona do crescimento. Por outras palavras: parte da tua recuperação acontece enquanto dormes, e o magnésio é uma das peças que torna esse descanso possível. Se queres o mapa completo do que serve para além do desporto, tens-no em para que serve o magnésio.

Magnésio e desempenho: o que diz a evidência

Sejamos honestos, porque este é o ponto onde mais enganos se vendem. O magnésio não é um potenciador. Se os teus níveis estão bons, tomar mais não te vai tornar mais forte nem mais rápido. O corpo elimina o excesso e pronto.

O que a evidência mostra é o contrário: quando estás em défice de magnésio, o teu desempenho diminui. Gastas mais oxigénio para o mesmo esforço, o coração trabalha mais do que devia e a força ressent-se. Corrigir esse défice devolve o desempenho ao nível que deveria estar. Não é magia, é tirar um travão que tinhas sem saber.

A ideia numa frase: o magnésio não te leva além do teu limite. Ele devolve-te ao limite que já tinhas quando estavas em défice. Por isso, o objetivo não é "carregar" magnésio, mas sim não estar em falta. Suprida a necessidade, mais não acrescenta.

Magnésio, testosterona e hormonas

Aqui é preciso ser especialmente honesto, porque é terreno fértil para enganos. Vais ver anúncios que vendem o magnésio como "potenciador de testosterona". A realidade, mais aborrecida e mais útil: o magnésio participa no equilíbrio hormonal e, quando estás em défice, corrigi-lo pode ajudar a normalizar os teus níveis de testosterona livre, sobretudo se também treinas.

A palavra-chave outra vez é défice. Se os teus níveis de magnésio estão bem, tomar mais não vai aumentar a testosterona nem fazer-te ganhar músculo por essa via. O magnésio não é um anabolizante natural. O que faz é tirar um peso hormonal quando o tinhas, não dar-te uma vantagem que não te pertence. Com isso em mente, evitas gastar dinheiro à espera de um efeito que não chega.

Sinais de que podes estar em défice

O défice de magnésio é silencioso e confunde-se facilmente com "estou a treinar muito". Estes são os sinais que, juntos, devem fazer-te suspeitar:

  • Cãibras e contracções frequentes, sobretudo à noite ou no final do treino.
  • Tremores ou fasciculações (a pálpebra ou a batata da perna que "salta" sozinha).
  • Sono leve ou despertares a meio da noite apesar de estares cansado.
  • Fadiga persistente e sensação de que rendes abaixo do teu habitual.
  • Irritabilidade ou mais tensão mental do que o normal em semanas de carga.

Nenhum destes sinais, por si só, confirma nada: podem ter outras causas. Mas se reconheces vários ao mesmo tempo e ainda treinas duro e transpiras muito, o magnésio é uma das primeiras coisas que vale a pena rever.

Quanto precisas e que forma escolher

A referência geral ronda os 350-400 mg de magnésio elementar por dia para um adulto, e um desportista que treina intensamente e transpira muito situa-se mais entre 400-500 mg. Atenção a uma palavra: elementar. No rótulo importa o magnésio puro, não o peso do sal que o acompanha. Um frasco que diz "1.000 mg" pode dar-te apenas 150 de magnésio real.

Sobre a forma, nem todas se absorvem da mesma forma nem servem para o mesmo. Para o desportista, duas ganham:

  • Bisglicinato: a melhor absorção, não incomoda o estômago e a glicina a que está ligado ajuda a dormir. É a opção para recuperação e descanso, à noite.
  • Malato: é bem tolerado, não causa sono e encaixa no metabolismo de energia. É o indicado para o dia se estiveres cansado.

E qual evitar? O óxido de magnésio, o mais barato e vendido: absorves cerca de 4% e o resto acaba por soltar o intestino. Pouco magnésio aproveitado e uma tarde na casa de banho. Tens a análise de cada forma em tipos de magnésio e para que serve cada um, e as chaves para escolher bem na loja em como escolher o melhor magnésio do mercado.

O truque dos 30 segundos na etiqueta: gira o frasco, ignora o número grande à frente e procura na tabela a palavra "magnésio" simples com os seus miligramas e o % VRN. Confirma que indica o tipo (bisglicinato, malato). Se só disser "magnésio" sem especificar, quase sempre é óxido disfarçado.

Quando tomar conforme o teu objetivo

O magnésio não é para tomar "antes de treinar" como um pré-treino. Funciona corrigindo níveis ao longo do tempo, por isso o que importa é a constância e o momento conforme o que procuras.

Se a tua prioridade é recuperar e dormir, bisglicinato à noite, uma hora antes de deitar. Se procuras energia e combater a fadiga do dia, malato ao pequeno-almoço. E se tomares doses elevadas, divide em duas tomadas: é melhor do que tomar tudo de uma vez. Uma dica prática: separa o magnésio pelo menos 2-4 horas dos antibióticos ou levotiroxina se os tomares, porque competem na absorção.

Primeiro a comida, depois o frasco

Antes de suplementar, olha para o prato. Há alimentos que são verdadeiras minas de magnésio e que ainda por cima são ótimos para quem treina. Aqui tens os mais rentáveis, com o que aporta uma porção normal:

Alimento (porção típica) Magnésio aprox.
Sementes de abóbora (30 g) ~150 mg
Espinafres cozidos (um prato) ~155 mg
Amêndoas (30 g) ~80 mg
Leguminosas cozidas (um prato) ~70 mg
Chocolate negro 85% (30 g) ~65 mg
Arroz ou aveia integral (porção) ~60 mg

O problema é que muitos desportistas comem exatamente o contrário: muito processado, pouca verdura de folha e poucas sementes. É aí que o suplemento faz sentido, não como substituto de uma boa alimentação, mas como rede de segurança quando a dieta não chega ou o gasto por suor é elevado. Os suplementos complementam; não substituem a comida real.

Por que uma análise normal nem sempre o detecta

Muita gente faz um exame, vê o magnésio "dentro do intervalo" e fica tranquila. O problema é que apenas cerca de 1% do teu magnésio está no sangue; o resto está nos ossos e nas células. Podes ter reservas baixas e, ainda assim, manter o nível no sangue à custa de esvaziar esses depósitos. Por isso, um exame padrão de magnésio no soro pode sair "normal" enquanto tu estás realmente em défice.

Conclusão prática? Não confies apenas nesse número. Os sinais que notas — cãibras, sono, fadiga — contam tanto ou mais do que a análise de rotina. Se vários se encaixam e ainda treinas intensamente, faz sentido cuidar do magnésio mesmo que o exame diga que estás bem. E se quiseres uma avaliação detalhada, fala com o teu médico.

Os erros que te deixam em défice sem que saibas

Embora tomes magnésio, é fácil sabotá-lo. Estes são os erros que mais vezes transformam um bom suplemento em dinheiro desperdiçado:

  • Escolher óxido pelo preço. Absorves cerca de 4%: pagas pouco e aproveitas menos. A poupança é falsa.
  • Ficar só com o número grande do frasco. "1.000 mg" no rótulo não é magnésio elementar. Procura o valor de magnésio puro com o seu % VRN.
  • Tomar a dose alta de uma vez. É o caminho rápido para a diarreia. Divide em duas tomas e absorves melhor.
  • Deixar de tomar nos dias de descanso. O magnésio corrige níveis com constância; os saltos frequentes devolvem-te ao ponto de partida.
  • Esperar um efeito imediato. Não é um pré-treino. Dá-lhe umas semanas de regularidade antes de o julgares.
Resumo para o desportista com pressa. Aponta para 350-500 mg de magnésio elementar por dia contando comida e suplemento. Bisglicinato à noite para recuperar e dormir; malato de dia se estiveres fatigado. Vê o magnésio elementar no rótulo, foge do óxido e sê constante. Não procures um impulso: procura não estar em défice. Com isso ganhas mais do que pensas.

Perguntas frequentes

Entre 350 e 500 mg de magnésio elementar por dia, contando comida e suplemento. A parte alta do intervalo é para quem treina forte, faz desportos de resistência ou sua muito. Lembra-te de olhar o magnésio elementar no rótulo, não o peso do sal.

Só se estivesses em défice. Com níveis normais, tomar mais magnésio não te torna mais forte nem mais rápido: o corpo elimina o excesso. Mas um défice baixa o rendimento (gastas mais oxigénio para o mesmo esforço), e corrigi-lo devolve-te ao teu nível. Não é um potenciador, é tirar um travão.

Se as cãibras vêm de uma deficiência de magnésio, corrigi-la costuma ajudar, porque o magnésio é o que permite que o músculo relaxe após contrair-se. Não é infalível (há cãibras por desidratação ou por sódio), mas em desportistas que suam muito é uma das primeiras coisas a verificar. O bisglicinato é a forma melhor tolerada para isso.

O bisglicinato para recuperação e sono (melhor absorção e não incomoda o estômago) e o malato para energia diurna e fadiga. Muitos desportistas combinam malato de dia e bisglicinato de noite. Evita o óxido: absorve-se cerca de 4% e costuma soltar o intestino.

O magnésio não funciona como um pré-treino pontual, mas sim corrigindo níveis com a toma diária. O importante é o objetivo: à noite se procuras recuperar e dormir melhor, de manhã se procuras energia. Tomá-lo mesmo antes de treinar não traz uma vantagem extra.

Sim, de forma indireta mas importante. Ajuda a que o sistema nervoso baixe as rotações à noite, e é no sono profundo que reparas o músculo. Um melhor descanso é, na prática, melhor recuperação. O bisglicinato é a forma mais usada para isto pelo seu efeito calmante.

Muitas vezes sim, com uma dieta rica em sementes de abóbora, espinafres, amêndoas, leguminosas, cereais integrais e chocolate negro. O suplemento faz sentido quando a dieta não chega ou o gasto por suor é elevado. A comida primeiro; o frasco como rede de segurança, não como substituto.

Para o sono e relaxamento, muita gente nota nos primeiros dias ou na primeira semana. Para as cãibras e tensão muscular costuma demorar de duas a quatro semanas de toma constante. A chave é a regularidade: o magnésio corrige níveis pouco a pouco, não dá um efeito imediato.

Em pessoas saudáveis, o excesso proveniente de suplementos é eliminado e o primeiro sintoma é diarreia, sobretudo com formas como o óxido ou o citrato em doses elevadas. Quem tiver problemas renais deve consultar antes. Para a maioria, manter-se entre 350-500 mg de magnésio elementar por dia é seguro e suficiente.

Só quando estivesses em défice. Corrigir um défice de magnésio pode ajudar a normalizar a testosterona livre, sobretudo se treinares. Mas se os teus níveis estão bons, tomar mais não a aumenta nem te faz ganhar músculo por essa via. Não é um anabolizante natural: remove um peso quando o tinhas, nada mais.

Sim, é mais comum do que parece. Apenas 1% do magnésio está no sangue; o resto está guardado nos ossos e células. O corpo mantém o nível no sangue à custa dessas reservas, por isso uma análise normal pode coexistir com depósitos baixos. Por isso, os sinais que sentes contam tanto como o número no papel.

De forma indireta. O magnésio ajuda a que o músculo relaxe e à recuperação geral, e se estivesses em défice, suprir isso pode reduzir a sensação de tensão e cãibras. Mas não é um remédio direto contra as dores musculares: para isso, são mais importantes o bom descanso, a hidratação, a proteína e diminuir a intensidade progressivamente.

Sim, sem problema. O magnésio não interfere com a creatina nem com a proteína, por isso podes tomá-los no mesmo dia com tranquilidade. Muitos desportistas tomam a creatina e a proteína perto do treino e o magnésio (bisglicinato) à noite, para aproveitar o seu efeito no descanso.

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