Terminas a corrida longa, chegas a casa e enfias as pernas nas botas durante vinte minutos. Quando te levantas, sentes as pernas mais leves e pensas que está feito, que já recuperaste. Meia hora depois, sobes as escadas e descobres que as dores musculares continuam lá, à tua espera.
Isto resume bastante bem o que a pressoterapia faz e o que não faz. Melhora muito a forma como te sentes e bastante menos aquilo que o teu músculo reparou. Não é pouca coisa: treinar no dia seguinte com as pernas soltas muda a qualidade dessa sessão. Mas convém saber onde está o limite e, sobretudo, saber utilizá-la bem, porque o quando e a pressão fazem mais diferença do que as pessoas pensam.
| Tipo de sessão | Quando utilizar | Pressão | Duração |
|---|---|---|---|
| Corrida longa ou fundo | 1-2 h depois | 80-100 mmHg | 20-25 min |
| Séries ou intervalos | 1-3 h depois | 90-120 mmHg | 15-20 min |
| Treino pesado de pernas | 2-4 h depois ou no dia seguinte | 70-90 mmHg | 20 min |
| Competição | Nessa noite e no dia seguinte | 80-110 mmHg | 20-30 min |
| Dia de descanso | Quando quiseres | 50-70 mmHg | 20-30 min |
| Antes do treino | Mesmo antes | 40-60 mmHg | 8-10 min |
O teu protocolo para hoje
Diz-nos o que treinaste e quando, e damos-te o plano.
O que acontece à tua perna depois de treinares
Quando terminas uma sessão exigente, acumulam-se três coisas no músculo: metabolitos do trabalho realizado, líquido inflamatório associado ao dano muscular e uma resposta de reparação que vai durar entre 24 e 72 horas.
Esse líquido é responsável por grande parte do que interpretas como «ter as pernas pesadas»: a sensação de perna cheia, rígida, com menor amplitude de movimento. Não é o mesmo que o dano muscular em si, embora estejam relacionados.
A pressoterapia atua sobre essa componente. Ao comprimir sequencialmente do pé até à anca, acelera o retorno venoso e linfático e remove da zona o líquido acumulado. Descongestiona. O que não faz é reparar fibras: isso é feito pelo teu corpo com proteína, sono e tempo.
O que se pode afirmar e o que não
Sejamos concretos, porque aqui exagera-se muito.
O que está bem documentado: reduz a sensação de dor muscular tardia —as dores musculares— e melhora a perceção de recuperação nas 24-48 horas seguintes. Reduz o perímetro da perna devido ao líquido drenado. E melhora a amplitude de movimento a curto prazo.
O que é mais modesto: o efeito sobre marcadores objetivos de lesão muscular e sobre o desempenho no dia seguinte é real, mas pequeno. Não espere correr 5% mais depressa por ter usado as botas.
O que não faz: não previne lesões, não substitui o aquecimento e não compensa dormir cinco horas. Se a sua recuperação falha por falta de sono ou por uma alimentação inadequada, nenhuma máquina vai resolver o problema. Desenvolvemos este tema em porque é que a sua rotina de recuperação não funciona.
O momento: o parâmetro mais negligenciado
Esta é a parte que a maioria das pessoas faz mal, e corrigi-la não custa nada.
Imediatamente após terminar
É tentador, mas não é o melhor momento. Logo após terminar o exercício, o fluxo sanguíneo está elevado e a temperatura também; o seu corpo já está a fazer, por si só, boa parte do que a máquina faria. Além disso, comprimir um músculo ainda muito congestionado costuma ser bastante desconfortável.
Se a for utilizar nesse momento, reduza a pressão e encurte a sessão para dez minutos.
Entre uma e três horas depois
É a janela com a melhor relação. Já tomou banho e comeu alguma coisa, a temperatura baixou e o líquido inflamatório começa a acumular-se. Aqui, a compressão faz um trabalho que o seu corpo não está a fazer sozinho.
No dia seguinte
Quando surgem dores musculares a sério, entre 24 e 48 horas depois. Uma sessão nesse dia alivia a rigidez e melhora a mobilidade, o que se nota especialmente se tiver de voltar a treinar.
Antes do treino
Sim, faz sentido, mas com outra intenção e outros parâmetros: sessão curta e baixa pressão, oito ou dez minutos a 40-60 mmHg. O objetivo é ativar a circulação e melhorar a sensação nas pernas, não drenar. Uma sessão longa e intensa antes de competir vai deixar-lhe as pernas moles, exatamente o oposto do que pretende.
HighFly Pro — Botas de pressoterapia
De 30 a 260 mmHg com o mesmo equipamento: ativação suave antes de competir e descarga a alta pressão depois. Autonomia superior a três horas e zero cabos, para as utilizar onde terminar o treino.
Ver produtoComo se enquadra consoante o seu desporto
| Desporto | O que acumula | Plano recomendado |
|---|---|---|
| Corrida de fundo | Impacto repetido e congestão nos gémeos | Após uma tirada longa e no dia de séries. 2-4 vezes por semana |
| Ciclismo | Muito volume, pouco dano excêntrico | Após saídas longas. Ideal em blocos de vários dias |
| Trail | Elevado dano excêntrico nos quadricípites | Prioritário. Nessa noite e no dia seguinte |
| Força e hipertrofia | Danos musculares localizados | Pressão moderada, de preferência 2-4 horas depois |
| Desportos coletivos | Mudanças de ritmo e travagens | Na noite do jogo e na manhã seguinte |
| Crossfit e treino funcional | Fadiga global e muita frequência | Dias de maior carga, 3-4 por semana |
A regra geral: quanto mais excêntrico e mais impacto tiver o seu desporto, mais partido vai tirar dele. Um trail com uma descida longa ou uma sessão de agachamentos profundos geram muito mais congestão do que um passeio de bicicleta em terreno plano.
Em comparação com as outras ferramentas
| Ferramenta | O que faz melhor | A sua limitação |
|---|---|---|
| Pressoterapia | Descongestionar toda a perna sem esforço | Não repara os tecidos |
| Banho de gelo | Reduzir a inflamação aguda | Usado sempre após o treino de força, pode abrandar as adaptações |
| Rolo de espuma | Trabalhar pontos específicos | Requer esforço e é localizada |
| Pistola de massagem | Precisão num músculo específico | Não drena todo o membro |
| Luz vermelha | Atuar a nível celular | Efeito mais lento e cumulativo |
| Meias de compressão | Manter o efeito durante horas | Compressão passiva, sem sequência |
Não competem: complementam-se. Uma combinação muito razoável é fazer pressoterapia no mesmo dia da sessão intensa e usar luz vermelha nos dias de maior carga; explicamos tudo em luz vermelha para a recuperação muscular. E, se vai incluir o frio na equação, é melhor perceber primeiro quando é conveniente, em como utilizar o cold plunge.
Quantas vezes por semana
Depende da sua carga, não de um número fixo:
- Treina 2-3 dias: uma ou duas sessões, nos dias de maior carga.
- Treina 4-5 dias: três ou quatro sessões, dando prioridade a séries, tiradas longas e força das pernas.
- Sessão dupla ou bloco de competição: diariamente, e até duas vezes por dia em semanas de provas por etapas.
Não existe um limite superior problemático a pressões razoáveis. O que é um erro é reservá-la apenas para quando está completamente exausto: como tudo na recuperação, funciona melhor de forma preventiva e regular.
Erros que reduzem os resultados
Colocar sempre a pressão no máximo. Mais pressão não significa maior drenagem. Acima de determinado ponto, pode chegar a colapsar os vasos superficiais que pretende esvaziar, além de ser desconfortável.
Utilizá-la sentado, com os pés no chão. Deitado ou com as pernas ligeiramente elevadas, a gravidade joga a seu favor.
Sessões de 45 minutos. Depois de 25-30 minutos, o retorno decrescente é evidente. É melhor repetir noutro dia.
Substituí-la pelo trabalho de mobilidade. Descongestionar não é o mesmo que recuperar a amplitude articular nem libertar um ponto-gatilho.
Descurar o básico. O sono, as proteínas e a hidratação continuam a representar 80 % da sua recuperação. A pressoterapia actua sobre os 20 % restantes. Consulte as bases da recuperação muscular.
Perguntas frequentes
Reduz bastante a sensação de dor e rigidez, sobretudo nas 24-48 horas seguintes, mas não acelera de forma significativa a reparação dos danos musculares que as causam. Sentirá as pernas melhor; o processo interno segue o seu curso.
Depois, na janela de uma a três horas, é quando funciona melhor. Antes também faz sentido, mas com outra abordagem: 8-10 minutos a baixa pressão para activar. Uma sessão longa e intensa antes de competir deixa-lhe as pernas moles.
Entre 80 e 120 mmHg cobre a maioria dos cenários de recuperação desportiva. Para uma descarga suave ou dias de descanso, 50-70 é mais do que suficiente. A referência não é o número, mas a sensação: firme e sustentável durante toda a sessão.
Sim, a pressões razoáveis não há problema na utilização diária, e em semanas de competição por etapas é o habitual. O que não traz benefícios é encadear sessões de uma hora: o benefício estagna muito antes.
Não há indícios de que a compressão pneumática elimine o sinal de adaptação, como pode acontecer com a imersão sistemática em água muito fria após o treino de força. É uma das razões pelas quais se adapta bem a blocos de hipertrofia.
Não diretamente. O que faz é permitir que chegue à sessão seguinte com menos fadiga acumulada e uma melhor sensação, e treinar com menos fadiga reduz, de facto, o risco. Mas atribuir-lhe, por si só, uma função preventiva seria ir longe demais.
Na noite anterior, faça uma sessão suave de 15-20 minutos a pressão média: ajuda especialmente se viajou ou passou horas sentado. Na manhã da corrida, se necessário, faça 8-10 minutos muito suaves. Nunca faça uma sessão intensa pouco antes de competir.
Para o desporto, as botas são mais do que suficientes: o trabalho concentra-se no gémeo e no quadricípite. As calças são úteis se o seu desporto sobrecarregar bastante a anca e o glúteo, ou se também as for utilizar para retenção de líquidos ou celulite.
São coisas diferentes. A meia aplica uma compressão passiva constante e a sua vantagem é poder usá-la durante horas, inclusive enquanto se desloca. A pressoterapia aplica uma compressão sequencial ativa durante vinte minutos. Combiná-las — botas ao chegar, meia durante o resto do dia após uma competição longa — funciona muito bem.
A sensação de pernas leves surge durante a própria sessão. O benefício real no seu treino nota-se por acumulação: após duas ou três semanas de utilização regular, a sensação de fadiga de fundo entre sessões diminui claramente.
Em resumo
A pressoterapia desportiva é uma ferramenta honesta, com um efeito concreto: descongestiona a perna e devolve-lhe a sensação de pernas frescas. Isso melhora a forma como enfrenta a sessão seguinte, que é exatamente o que procura quando treina muitos dias seguidos.
Utilize-a entre uma a três horas depois da sessão intensa, durante vinte minutos, com uma pressão firme mas confortável para si, e deitado. Repita várias vezes por semana, em vez de a reservar para quando já não aguenta mais. E não espere que compense uma noite mal dormida, porque para isso não há máquina.
Se quiser montar o conjunto completo, comece pela recuperação muscular e veja qual o equipamento que melhor se adequa a si no guia de compra de botas de pressoterapia.


Redacción y revisión del artículo
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